Câncer de Ovário

Dr. Maurício Fristachi

Médico do Serviço de Oncoginecologia e Mastologia
Com informações do INCA

 

Pouco frequente, o câncer de ovário é o tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e o de menor chance de cura. Cerca de 3/4 dos cânceres desse órgão apresentam-se em estágio avançado no momento do diagnóstico. A maioria dos tumores de ovário são carcinomas epiteliais (câncer que se inicia nas células da superfície do órgão), o mais comum, ou tumor maligno de células germinativas (que dão origem aos espermatozoides e aos ovócitos - chamados erroneamente de óvulos).

Sintomas

Na fase inicial, o câncer de ovário não causa sintomas específicos. À medida que o tumor cresce, pode causar pressão, dor ou inchaço no abdômen, pelve, costas ou pernas; náusea, indigestão, gases, prisão de ventre ou diarreia e cansaço constante. Outros sintomas, apesar de menos comuns, também podem surgir, como necessidade frequente de urinar e sangramento vaginal. A maioria desses sintomas não significa que a mulher tem tumor de ovário, mas serve de alerta para que ela procure um médico.

Prevenção

As mulheres devem estar atentas aos fatores de risco e consultar regularmente o seu médico, principalmente aquelas acima de 50 anos. Fatores hormonais, ambientais e genéticos estão relacionados com o aparecimento do câncer de ovário, como alteração genética por genes BRCA 1 e BRCA 2. História familiar é o fator de risco isolado mais importante. Cerca de 10% dos casos apresentam componente genético ou familiar, e 90% são esporádicos, isto é, sem fator de risco conhecido.

Ter tido câncer de mama, útero ou colorretal ou nunca ter engravidado também aumenta o risco de ter câncer de ovário. Alguns estudos sugerem que a ingestão do hormônio estrogênio (sem progesterona) por 10 anos ou mais pode aumentar a chance de a mulher vir a ter esse tipo de tumor.

A presença de cistos no ovário, bastante comum, não deve ser motivo para pânico. O perigo só existe quando eles são maiores que 10 cm e possuem áreas sólidas e líquidas. Nesse caso, quando detectado o cisto, a cirurgia é o tratamento indicado.

O exame preventivo ginecológico (Papanicolaou) não detecta o câncer de ovário, já que é específico para detectar o câncer do colo do útero.

A pílula anticoncepcional para as jovens chega a reduzir em 50% o risco, mas só deve ser utilizada de acordo com necessidade individualizada.

Diagnóstico

Diante de algum sintoma suspeito, o médico poderá pedir exame de sangue específico e uma ultrassonografia transvaginal. Baseado nos resultados desses testes, poderá ser indicada biópsia (feita por laparoscopia ou laparotomia) do tecido ovariano.

Tratamento

Diversas modalidades terapêuticas podem ser oferecidas (cirurgia, radioterapia e quimioterapia). A escolha vai depender principalmente do tipo histológico do tumor, do estadiamento, da idade e das condições clínicas da paciente e de se o tumor é inicial ou recorrente. Se a doença for detectada no início - especialmente nas mulheres mais jovens - é possível remover somente o ovário afetado.

Alguns dados:
• 250 mil mulheres já foram diagnosticadas em todo o mundo;
• Toda mulher corre o risco de ter câncer de ovário;
• O exame Papanicolau não detecta o cãncer de ovário, para isso, é preciso um exame pélvico;
• 6.150 novos casos serão descobertos no ano de 2018 no Brasil;
• É o oitavo tipo de câncer mais incidente no Brasil;
• Ocupa o quinto lugar em mortes por câncer entre as mulheres, sendo responsável por mais mortes do que qualquer outro câncer do sistema reprodutivo feminino;
• O risco de uma mulher desenvolver câncer de ovário durante sua vida é de cerca de 1 em 79;
• Sua chance de morrer de câncer de ovário é de cerca de 1 em 108;
• Cerca de metade das mulheres que são diagnosticadas com câncer de ovário tem 63 anos ou mais, sendo mais comum em mulheres brancas do que nas mulheres negras;
• A taxa de mulheres diagnosticadas com câncer de ovário está caindo lentamente ao longo dos últimos 20 anos.